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segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

O amor é fodido!

Hoje, tive um encontro que me deixou a pensar…
Estava na fila do pão (para variar) e uma vizinha, ao contrário do que é habitual, não perguntou só pelas crias:
Senhora: Então e o marido, como está? Não o vejo há algum tempo.
Eu: Está como eu o deixo estar – na paz! Quem tem cabelos brancos, sou eu…
Senhora: Nunca diga mal do seu marido em público, nunca! Há por aí mulheres que procuram isso mesmo. Quando menos esperar, fica sozinha.
Eu: Olhe, quem perde é ele! E elas, ao levá-lo, tinham o merecido castigo!
Senhora: Eu sei que você é uma bem disposta, mas olhe que custa muito! Eu era muito feliz com o meu marido. Ele deixou-me por causa de uma maluca. Eu estive tão mal que achei que morria. Sabe, era mesmo isso que eu queria - morrer! Ele entretanto arrependeu-se mas o orgulho fala mais alto e ele não volta para casa… Tomo mais de uma dezena de medicamentos desde que ele saiu. Não me deu cabo só da cabeça, fiquei doente do cabelo até aos ossos. Nunca mais fui a mesma. Por favor, conserve-o. Cuide dele, tenha cuidado!
Foi um murro no estômago! Não por mim, sei bem que quem perdia era ele! #CagariCagaró Eu bastava-me a mim mesma (desculpem a redundância).
Custou-me por ela…
Custou-me confrontar-me, cara a cara, com quem acha que lhe basta menos do que merece.
Com quem acha que não ter um homem em casa é estar sozinha.
Com quem acha que orgulho e amor fazem parte da mesma moeda.
Com quem acha que uma “maluca” consegue roubar um marido que a ama.
Com quem acha que outra mulher é a responsável por algo que foi feito por alguém com plenas capacidades físicas e mentais.
Com quem sofre tanto por uma pessoa que provavelmente gosta tanto dela como ela gosta de si própria – nada!
Com quem tem a sua vida em “stand by”…
O olhar dorido dela transmitiu-me a ideia de que continua à espera que o “orgulho” pese um pouco menos que o “amor” e que a “maluca” o “deixe” regressar para onde ela acha que é a casa dele – o amor dela!
Imaginei-o a voltar. Seria aceite de braços abertos e ambos iriam dizer mal da “maluca”… até aparecer outra “maluca” qualquer… digo eu.
Apeteceu-me abaná-la, gritar-lhe, dizer um monte de coisas que EU acho que são certas e que ela precisava ouvir! Como se EU soubesse mais do que ela. Como se EU vivesse o amor dela. Como se EU fosse ela ou ela fosse EU!
Tentei disfarçar o ego inflamado, respirei fundo, afaguei-lhe a mão, que ela carinhosamente tinha agarrada, com força, ao meu braço, e disse-lhe:
- Aprendi muito com o seu testemunho, sei que vou para casa a pensar nele e estou muito orgulhosa por me ter confiado a sua história. Estou assim emocionada pelo facto de estar tão preocupada comigo e com a minha família. Obrigada!
Se fiz a diferença na vida dela? Não!
Se ela fez na minha? Fez!
Reforçou a minha ideia de que não nasci para receber menos do que dou MAS fez-me perceber também que isto é apenas e só A MINHA forma de amar!
Parece que cada um ama à sua maneira… muitas vezes, ama sozinho, ama pelos dois, ama mais do que a si próprio e isso pode bastar, mesmo que a mim não me baste, mesmo que a mim não me faça sentido…
Já dizia o MEC: “o amor é F*dido”!
E eu que só queria um casalinho...
A Mãe dos Quatro!
#eeuquesoqueriaumcasalinho
#amaedosquatro

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