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terça-feira, 3 de outubro de 2017

Fomos operados!

O Miguel foi operado!
E eu, por conseguinte, fui operada também… ao cérebro, à consciência, ao coração!
Tanta vez, quando ouvi outras mães a dizer que os filhos iam ser operados às amígdalas, adenoides, ouvidos pensei e cheguei mesmo a dizer: “ahhh é uma operação simples, vai logo para casa e tudo!”; “A ciência já está tão avançada… isso é mais fácil que tirar um dente!”.
Pois… até bater-me à portinha!
O que eu não sabia, o que nunca me passou pelo coração frágil foi a dificuldade que é explicar a uma criança de 5 anos que vai ser operado e “ahhh e tal é simples e vais para casa logo a seguir, comer gelados e coise”.
À minha criança… que até para pôr um penso numa ferida do tamanho da meia de uma formiga berra tanto como um Porquinho da Índia a ser apertado! E quando se fala em tirar a porra do penso?! A chinfrineira aumenta e parecem os meus gritos quando o homem comenta que a loiça da máquina não está bem arrumada… (agora pensem!).
Até chegarmos à clínica parecia MESMO que a situação estava controlada. Sentia-me a Dalai Lama das mães! O mundo era meu e da minha parentalidade híper ziper triper positiva e eficiente e tretas!
Ele fartou-se de brincar, à entrada...
Começou logo o escangalhanço quando reparo que o miúdo estava a controlar obsessivamente todos os movimentos da senhora DA RECEPÇÃO… Quando ela abre a caixa registadora o meu mimalhas dá um tal salto de susto que pensei que estava a atalhar caminho para a anestesia… Mas lá se aguentou sem cair para o lado!
Voltei às inspirações profundas, a puxar de dentro de mim a personagem sábia, controlada, experiente, positiva – a suposta mãe de quatro! #hãhã
Recusou despir-se!
Entrou na sala de operações calçado com os seus ténis favoritos e vestido de calça-de-ganga e t-shirt do super homem!
Nesta altura já estava em prantos…
O meu coração mirrou, ficou do tamanho da passa de uma ervilha… Eu só pensava: Ele não pode adormecer assim, não pode! Vai acordar igual ou pior… e magoado comigo!
Toda a equipa era um amor, permitiu-nos tudo!
Dei colo, abraços profundos, lambi-o de beijos, afaguei-lhe os caracóis, fiz promessas mas em vão… Fechei os olhos e dei-lhe o abraço mais forte que consegui! Falei-lhe juntinho ao ouvido, pedi que confiasse na mamã, que estaria ali assim que acordasse…
Foi anestesiado… de mão dada comigo… com o ouvido juntinho aos meus lábios, enquanto eu sentia o seu cheirinho. Fui sussurrando cada vez mais baixinho: “A mamã está aqui, confia em mim, meu filho, a seguir vamos para casa encher-nos de gelado”.
Não sei quantas vezes lhe disse isto… continuei a dizer quando tive de sair… continuei a dizer para mim mesma e só me lembrava do choro cada vez mais fraquinho enquanto adormecia e naquela mãozinha cada vez mais frouxa…
Dizem que foi rápido, para mim pareceu-me o tempo de rotação da Terra…
Como estive sempre ali que nem lapa, ouvi-o acordar… estava a chorar, sem mim - sem a mamã!
Caraças, caramba, bolas como dói!
Assim que pude, saltei para ele, agarrei-lhe a mão com toda a força e voltei ao sussurro…
Chorou mais de uma hora, sem parar, gemia: “Mamã”.
Acalmou quando lhe dei colo, adormeceu… em paz, cansado.
Já estamos em casa, bem, quentinhos, juntos, felizes!
Ele é pior que um ajuntamento de cabritos à solta pelo prado. É duro mantê-lo quieto! Fora isso… perfeito!
Obrigada a toda a equipa que recebeu o meu Doutorado em Mimice! Bem-haja a todos 
E eu que só queria um casalinho…
A Mãe dos Quatro!
#eeuquesoqueriaumcasalinho
#amaedosquatro

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